A dança, ato complexo de comunicação...

Mudanças na estrutura do cérebro em idosos saudáveis após 6 meses de dança.
A doença de Alzheimer é uma das doenças mais alarmantes no envelhecimento patológico, conduzindo a perdas profundas. Enquanto não se vislumbra a disponibilização de tratamento, tem vindo a ser dada atenção a abordagens preventivas, não farmacológicas, nomeadamente a atividade física.

A dança
A dança é por natureza, um ato comunicativo complexo. Neste artigo, avaliam-se os efeitos de uma intervenção intensiva com dança, na cognição e estrutura do cérebro em adultos mais velhos saudáveis e adultos mais velhos com comprometimento cognitivo ligeiro.

Os participantes
Os sujeitos do estudo, com mais de 60 anos, sem depressão e sem demência, foram aleatoriamente distribuídos por dois grupos: os que faziam dança de forma intensiva (DI) e os que dançavam de acordo com uma vida usual, sem qualquer intensidade na dança (LAU).

Os testes
Testes neuropsicológicos, físicos e de imagem cerebral, foram efetuados no início e ao fim de 6 meses.

Que diferenças?
Relativamente às diferenças - foram avaliados parâmetros de espessura cortical. Dos indivíduos que terminaram o estudo, aqueles que participaram no grupo DI, apresentaram ao fim de 6 meses, uma maior espessura cortical no lobo temporal inferior direito, região fusiforme e área lateral do occipital. Também foram observadas melhorias subtis no desempenho das funções executivas dos indivíduos que dançaram intensivamente (funções cognitivas que regulam o comportamento – ex: analisar e optar por comportamentos que favoreçam o alcance de objetivos, controlo da atenção, inibição de alguns comportamentos, resolução de problemas, antecipação e planeamento, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva).

Sugestões:
A intervenção intensiva em dança, melhora o desempenho das funções executivas e incrementa a espessura cortical nas áreas temporais e occipitais do córtex envolvidas na observação das ações, integração visual-motora e ação para a imitação (atividades importantes para a aprendizagem motora e execução de movimentos).

Qual o programa de dança no grupo intensivo, no decurso dos 6 meses?
  • 3 aulas de dança por semana, cada uma com a duração de 60 minutos;
  • Cada exercício consistia em treinar passos simples e em ritmo lento de dança, envolvendo braços e pernas (no início, sem música);
  • Os diversos passos, iam sendo integrados num todo, de modo a que o treino promovesse um ritmo mais ágil;
  • Depois de se atingir o ritmo desejado, a música era associada ao treino e a coreografia era aprimorada, envolvendo a alteração das posições dos diferentes elementos;
  • A intensidade era média e ajustada à condição de saúde dos participantes sendo todo o exercício, supervisionado por instrutor experiente;
  • Foram acolhidas danças de vários pontos do mundo, como tema para o programa. Só resta agora, dançar!

Palavras chave: dança, adultos mais velhos saudáveis, idosos saudáveis, comunicação humanizada, cérebro, funções executivas, abordagens não farmacológicas, prevenção, atividade física

Rektorova I., Klobusiakova P., Balazova Z. & Kropacova S. (2019) Brain structure changes in nondemented seniors after six-month dance-exercise intervention. Acta Neurologica Scandinavica 104 (1): 90-97. Doi: https://doi.org/10.1111/ane.13181