As palavras que escolhemos influenciam a resposta dos outros?

“Palavras são janelas, ou portas” é uma expressão de Marshall Rosenberg. Esta afirmação reflete sobre a importância da escolha das palavras que trocamos com os outros quando pretendemos dizer ou responder a algo. Palavras são mais que símbolos daquilo que pretendemos expressar. Elas são também estímulos que geram reações em nós e no outro. Poderão ser estímulos que enfraquecem a qualidade da comunicação (portas) ou o seu contrário (janelas).

O tarbalho de investigação de Elizabeth Loftus exerce um enfoque no estudo da nossa memória e de como a mesma pode ser manipulada.

Mas porque esta pequena peça pretende fazer um zoom relativamente ao efeito das palavras nas nossas próprias reações, recordo uma das suas experiências, na qual expôs os seus participantes à visualização de um filme sobre um acidente de automóveis. Após a observação do filme, foi perguntado aos sujeitos, a que velocidade íam os carros do filme. Contudo, a pergunta sobre a velocidade, era efetuada com palavras diferentes (exemplo):

1 - A que velocidade íam os automóveis quando bateram um no outro?

2 - A que velocidade íam os automóveis quando se enfaixaram um no outro?

Curiosamente e embora o filme fosse o mesmo, as respostas refletiam uma velocidade maior quando expostos à pergunta 2 e uma mais baixa, perante a questão 1.

As palavras contam. As palavras influenciam e de facto podem ser escolhidas.

Quando cuidamos por longos anos de adultos maiores em vulnerabilidade, sabemos que sim. Sabemos como as palavras que nos chegam nos afetam e como as que proferimos influenciam o outro. Podemos criar espaços de reflexão sobre quais as palavras que escolhemos, as que vão ter efeito porta e as que vão ter efeito janela.

Loftus E., Palmer J. (1974) Reconstruction of automobile destruction: An example of the interaction between language and memory. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior 13 (5): 585-589.