Comunicação na doença de Alzheimer

Comunicação na doença de Alzheimer: elementos clínicos e opções terapêuticas

Artigo de revisão de 2013. Pretende sublinhar os problemas de comunicação que emergem no curso da Doença de Alzheimer (DA) e abordar a necessidade do cuidado adequado.

Os autores pesquisaram por publicações científicas que:

- relacionavam a linguagem e comunicação com a DA;

- eficácia de terapêuticas para problemas de linguagem e comunicação.

Síntese em 12 ideias não farmacológicas:

1. A DA não compromete só a memória, mas também a linguagem, comunicação, concentração, orientação e comportamento das pessoas que vivem com esta doença;

2. As alterações na comunicação das pessoas com DA, interferem com a sua capacidade de interagir com outros e na de preservar relacionamentos, planear as suas atividades, expressar necessidades básicas e pensamentos sobre o que as rodeia. Estas limitações vão gradativamente beliscar a sua independência;

3. Os problemas de comunicação são:

  • reportados por 88% dos cuidadores;
  • 74% das pessoas com DA experimentam dificuldades em acompanhar conversas;
  • 70% das pessoas com DA apresentam dificuldades na leitura e escrita;
  • quase 50% das pessoas com DA, manifestam desafios na fala (articulação) e na compreensão da linguagem.

4. As perturbações da linguagem manifestam-se entre outras, pela:

  • dificuldade em lembrar e encontrar as palavras;
  • comprometimento da fluência verbal;
  • declínio nas competências de leitura e escrita o que lesa a capacidade de manter e acompanhar conversas;
  • alterações dos sinais não verbais que se refletem nos movimentos das mãos e cabeça, expressões faciais e postura corporal – estas alterações têm vindo a estar co-relacionadas com declínio linguístico.

5. Os sinais não verbais, em conjunto com os verbais, são facilitadores da expressão de atitudes e sentimentos, desempenhando um papel fundamental nas interações sociais.

6. A capacidade em ler alto preserva-se durante mais tempo ao longo do processo da doença

7. A perturbação da linguagem tem sido identificada como:

  • um sinal diferenciador dos estádios de progressão da DA;
  • medida de progressão da DA.

8. Nos estádios mais avançados:

  • a articulação das palavras fica comprometida o que conduz ao silêncio, padrões de discurso repetititivos designados de ecolália e expressão de palavras e frases aparentemente sem sentido;
  • os sinais não verbais podem manter-se, proporcionado à pessoa com DA, veículos de comunicação básica que os outros poderão esforçar-se em interpretar.

9. Todas estas dificuldades de expressão prejudicam:

  • as vidas das pessoas com DA, mas também a dos cuidadores e familiares. A frustração e interpretações menos corretas concorrem para o sentimento de isolamento das pessoas com DA influenciando a sua motivação na participação em atividades sociais;
  • a perceção de sobrecarga pelos cuidadores.

10. Numa perspetiva médica, a manutenção de canais de comunicação com as pessoas com DA, apresenta-se de grande valor para compreender a progressão da doença na pessoa com DA e para poder proporcionar o cuidado e tratamento adequados;

 

11. O cuidado adequado melhora a qualidade de vida das pessoas com DA, ajudando-as a reter por mais tempo, as capacidades de expressão, de comunicar com a família e amigos e de prosseguir com as suas rotinas sociais.

    12. A estimulação social reduz também a ocorrência de problemas comportamentais e facilita o processo de preservação  das competências comunicacionais da pessoa que vive com DA.

    Palavras-chave: comunicação, linguagem, doença de Alzheimer

    Para a leitura do artigo completo:

    Aspects of communication in Alzheimer's disease: clinical features and treatment options

    Woodward, M. (2013). Aspects of communication in Alzheimer's disease: Clinical features and treatment options. International Psychogeriatrics, 25(6), 877-885. doi:10.1017/S1041610213000318

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