Comunicação na medicação

Perspetivas na saúde e medicação potencialmente inapropriada nos idosos mais velhos e independentes
Os idosos mais velhos tomam medicação potencialmente inapropriada (PIM) que é definida como o risco aumentado de causar danos, devido aos seus efeitos colaterais. Na Alemanha existe uma lista designada de PRISCUS (PL) que foi publicada em 2010 e que integra a identificação de medicamentos considerados PIM. Também na Alemanha, 25% dos indivíduos com idade superior a 65 anos, tem a prescrição de pelo menos uma dessas terapêuticas PIM, por ano. Esta prevalência é similar à de outros países europeus e não europeus.

Estudos que avaliam o papel dos cuidadores informais na gestão da medicação de adultos mais velhos com dependência e demência sugerem que esta tarefa de gestão é em si complexa.

Mas existe uma larga fatia de adultos mais velhos (90-94 anos) que são independentes, desempenhando as suas tarefas diárias sem dificuldade e para os quais existe falta de informação de estudos qualitativos, sobre a perspetiva dos cuidadores informais sobre as suas medicações crónicas.

Este estudo cria um enfoque na perspetiva dos cuidadores informais sobre a saúde e medicação potencialmente inapropriada, nas pessoas mais velhas independentes, procurando encontrar um ponto de partida para uma gestão mais segura da medicação nos idosos independentes.

Como foi estudado o papel dos cuidadores informais na medicação dos idosos independentes?
Os cuidadores informais foram contactados via telefone para responder e refletir face a questões integradas numa entrevista semiestruturada;
As questões colocadas, versavam os seguintes assuntos: histórico de patologias dos idosos, sua medicação, o papel como cuidadores, na gestão dessa medicação, efeitos deletérios dos fármacos, mudanças de medicação, satisfação dos idosos sobre os tratamentos e sua qualidade de vida, interações com o médico de família e opinião sobre medicamentos potencialmente problemáticos;

Embora a maioria dos cuidadores conhecesse a história clínica dos idosos, foi encontrada uma crença que pela independência dos idosos, não deviam intrometer-se muito na gestão da medicação (ex: “Devido à sua forma, eu não posso monitorizar constantemente, certo?”;
Foi relatada alguma ignorância sobre as marcas e substâncias ativas dos fármacos ministrados aos idosos;
Foi expressa a necessidade de investigar de forma ativa sobre a medicação, através da internet e leitura dos folhetos informativos e outros, consideraram a medicação, responsabilidade médica exclusiva;
A maioria dos cuidadores considerou o efeito positivo da medicação na qualidade de vida dos idosos, nomeadamente a ausência de dor. Os efeitos positivos foram vistos como mais importantes que os negativos;
Em casos mais problemáticos, os cuidadores foram capazes de perceber os efeitos das terapêuticas;
Alguns eram mais críticos no que diz respeito à dependência por alguns medicamentos como benzodiazepinas e opioides, sendo que silenciavam, pois, acreditavam que proporcionava bem estar ao idoso;
O conceito de PIM era desconhecido por todos os cuidadores.

Nota adicional
No estudo, os idosos sofreram de depressão e ansiedade por décadas e algumas das terapêuticas relativas a estas condições de saúde, foram ministradas por muito tempo. Algumas destas medicações fazem parte do PIM, por razões devidas à idade dos doentes ou pela cronicidade da sua administração.

Conclusões
Os autores acreditam que os cuidadores informais estão aptos a monitorizar e apoiar os idosos e profissionais de saúde a cuidar melhor daqueles, embora seja necessária formação e informação adequadas, recrutando-os mais para o processo de cuidado. Acrescentam que uma maior atenção deve ser dada às fases de transição entre a independência e dependência dos idosos mais velhos para que estratégias de apoio adequadas possam ser implementadas em alturas mais ajustadas.

Palavras Chave: Medicação potencialmente inapropriada, cuidadores informais, apoio na medicação, idosos muito idosos independentes, comunicação humanizada, estratégias de comunicação, monitorização da medicação.

Pohontsch, N.J., Löffler, A., Luck, T. et al. Informal caregivers’ perspectives on health of and (potentially inappropriate) medication for (relatively) independent oldest-old people – a qualitative interview study. BMC Geriatr 18, 169 (2018). https://doi.org/10.1186/s12877-018-0849-5