Diálogo com Elsa Neves

Elsa Neves
Uma perspetiva do cuidador informal
 
Métis: Cuidou até há bem pouco tempo, de uma pessoa muito querida para si. Alguém com uma extensa idade e que viveu uma doença neurodegenerativa, para a qual, os seus cuidados foram vitais. No seu papel de cuidadora, quais foram as suas principais aprendizagens?
 
Elsa Neves:
No início, o meu papel de cuidadora foi muito complicado pois não entendi o que se passava com a minha mãe. A revolta e a raiva não me deixavam ser afetuosa. Quando comecei a ter apoio, tudo mudou e comecei a tratá-la com todo o amor e finalmente consegui beijá-la…já não era prestar o cuidado básico e ir embora. Fui próxima até ao fim, último suspiro dela e vi-a a partir em paz.
 
Métis: Na sua perspetiva, o que é importante um cuidador informal aprender, para poder sentir realização e orgulho no desempenho prolongado do papel de cuidador de um sénior em vulnerabilidade?
 
Elsa Neves:
É importante aprender o como lidar com a situação que vai evoluindo. Aprender a colocar-se na pessoa de quem está a cuidar, levando a mesma a sentir-se útil, amada e apoiada nas situações mais difíceis. Se conseguir cumprir o papel de cuidador, consegue sentir-se orgulho.
 
Métis: Enquanto desempenhou o papel de cuidadora, em simultâneo, desempenhou outros papeis, nomeadamente o profissional, mulher, filha, mãe…etc… O que foi importante para si fazer para conseguir algum equilíbrio no desempenho destes papeis…ou houve algum que ficou de férias?
 
Elsa Neves:
A única coisa que deixei de dar atenção foi a mim mesma. Tudo o que fazia anteriormente, coloquei de lado. Mas uma coisa tenho a certeza! Se fosse hoje, fazia tudo na mesma pois a minha mãe, estaria em primeiro lugar, sempre.