Diálogo com Marisa Mascarenhas

Marisa Mascarenhas
Auxiliar de Ação Direta

Métis: No contexto da atual pandemia, a profissão que a Marisa abraça e exerce, tornou-se mais visível e valorizada positivamente, havendo qualidades/competências que mais se destacaram. Quais são as top 3 que mais sublinha?
 
Marisa Mascarenhas:
Neste tempo de pandemia, realmente notei que foi dado mais valor ao nosso trabalho, apesar de um maior foco em quem trabalha em meio hospitalar.

Penso que as qualidades/competências que mais se destacam, são a importância dos nossos cuidados á pessoa dependente, a ajuda que damos também ao cuidador informal, a confiança em nós, nos nossos serviços e o facto de poderem "desabafar" um pouco.
 
Métis: Ainda sobre este contexto de cuidado redobrado para com os adultos maiores que vivem dependências diversas, deve ter sentido o medo de contagiar, ser contagiada…Que emoções mais intensas viveu e como as superou, para continuar a estar muito atenta às pessoas que precisam dos seus cuidados?
 
Marisa Mascarenhas: No inicio foi muito complicado gerir o medo e as emoções. É claro que tinha receio de ser contagiada e de contagiar. O medo de ser contagiada era não tanto por mim mas pelos meus filhos. Tive dias difíceis, mas a maneira que encontrei para aliviar um pouco o receio, foi "brincar/ dizer uns disparates /fazer umas piadas. Isto de certa forma ajudou a ultrapassar a situação.

Em relação ás pessoas que necessitam dos nossos cuidados tinha de mostrar que estava confiante que ia tudo correr bem e que estavamos devidamente protegidos.
 
Métis: O equipamento de proteção individual esconde muito as expressões de afeto que são comunicadas pela face e voz. Como tem vindo a ultrapassar estas barreiras necessárias que dificultam a comunicação?
 
Marisa Mascarenhas:
Realmente não é nada fácil comunicar com as máscaras, elas escondem as nossas expressões faciais. Até mesmo a voz se torna diferente e as palavras por vezes não são entendidas da mesma forma. Nos primeiros dias foi estranho, mas como também já nos conheciam e tinham confiança em nós, essa tarefa ficou mais fácil. É uma questão de hábito e falar talvez mais devagar e até mesmo repetir. Mas um olhar nos olhos diz muita coisa....