Diálogo com Personal Trainer Paula Rodrigues

Em diálogo com PT Paula Rodrigues

Especialista em Exercício Físico

Enquadramento: O exercício físico e a idade? Apaixonar a exercitar? A hidro, a música e que mais? Pessoas com demência e hidroginástica?

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Métis: 3 fatores (entre 10) que a ciência nos aponta atualmente, como promotores do rejuvenescimento do nosso cérebro, são o da prática do exercício físico, promover um círculo social estimulante e novo e investir tempo com pessoas mais jovens que nós. Na sua perspetiva, como é que o exercício físico na vida adulta, nos oferece muito mais benefícios, para além da prática dos movimentos em si, “matando 3 coelhos (ou mais) numa só cajadada”?

Resposta de PT Paula Rodrigues: A prática do exercício físico tem um sem número de benefícios que são transversais, independentemente da idade em que se pratica. Porém, na idade adulta  julgo que devemos dar ênfase a 5 fatores que emergem com a idade, são eles:

  • diminuição da pressão arterial, uma vez que a prática do exercício físico leva à melhoria da circulação sanguínea;
  • prevenção de problemas cardíacos, sendo o coração um músculo ele vai ser trabalhado e melhora a sua condição de resposta;
  • diminuição dos riscos de queda, pois a prática do exercício físico proporciona o aumento da capacidade muscular, flexibilidade, coordenação e equilíbrio;
  • fortalecimento ósseo, proporcionando a diminuição das dores articulares e a prevenção da osteoporose;
  • melhoria da saúde mental, a produção da serotonina e dopamina, durante a  prática do exercício físico, leva a comportamentos mais positivos e com eles, a diminuição da ansiedade e possibilidade de depressão. Contribui também para o aumento da memória e das funções cognitivas.

Métis: Para além da Paula promover a prática de diferentes modalidades de exercício físico, acompanhando grupos ou, como PT, o indivíduo, está bastante envolvida com as práticas de grupo exercidas na água. A Hidroginástica é um dos exemplos onde faz magia. Sendo uma atividade preferencial de pessoas mais maduras que nem sempre têm um histórico de prática de exercício físico e que muitas vezes aderem a ela, por “prescrição”, que ingredientes considera essenciais nestas aulas, para apaixonar quem nunca foi apaixonado pela Hidroginástica?

Resposta de PT Paula Rodrigues: É uma resposta complexa, pois existe o lado enquanto instrutora que requer o respeito por regras básicas que devem ser tidas em linha de conta na construção de uma aula. A sequência dos elementos, a utilização ou não de material e o enquadramento com a música.

Existe também o lado enquanto indivíduo, em que procuro estar do outro lado e dar uma leveza à aula para que seja exequível, mas desafiante e agradável ao mesmo tempo.

Na conjugação de ambos, os ingredientes, como lhe chamou a Leonor, passam por:

  • promover um leque diversificado de exercícios para que as aulas não se tornem maçadoras e repetitivas;
  • lançar desafios mesmo que não verbalizados, com o intuito de se superarem a si mesmos, mesmo que só vejam resultados 3 ou 4 aulas depois;
  • a escolha da música, uma vez que é necessário que os alunos se identifiquem com ela, que lhes seja audível, lhes transmita boa disposição levando-os a ter liberdade e vontade para se exercitarem.

Confesso que gosto quando os vejo a cantarolar ou até mesmo a dançar, é sinal que os exercícios mais complexos ou exigentes, são feitos de uma forma ligeira.

E o meu cunho pessoal passa pelo prazer que tenho em realizar as aulas e faço questão de o transmitir criando uma interação por vezes verbal, outras, de olhar.

Métis: Na instrução da modalidade de Hidroginástica, tem também experiência, em trabalhar com seniores que em determinada altura, desenvolveram processos demenciais. Integra na sua forma de pensar, o exercício físico, como ferramenta de humanização. Obviamente que sendo cada caso, um caso, poderá partilhar algum que conduzisse, ajudando na resolução de dúvidas que podem emergir nestas situações?

Resposta de PT Paula Rodrigues: A prática de exercício na idade adulta e em especial nos seniores é uma forma de os manter ativos, não só pelo movimento mas sim por tudo o que advém, ter um horário, um grupo de pessoas com que se identificam, a necessidade de se deslocarem até ao espaço da realização da aula, a preparação do equipamento. Tudo isso cria neles uma rotina, que nessas idades é fundamental. No seu íntimo sentem-se úteis e sentem-se ativos e não sozinhos.


Por todas as mais valias enumeradas anteriormente, houve uma situação em que recordo que enumerei todos eles aos familiares que num dado momento pensaram em retirar o familiar das aulas de hidroginástica ao qual tinha sido diagnosticada a doença de Alzheimer.


Por mais que possa ser complicado fazer integrar ou realizar uma aula 100% perfeita, julgo que o importante é que o indivíduo não se sinta excluído e que realize tarefas que lhe façam ativar as funções cognitivas e se mantenha num ambiente ao qual está habituado e se sente confortável.
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A Métis conta ter-lhe proporcionado um bom momento de leitura, reflexão e agradece profundamente a conversa e partilha de conhecimento, movimento e testemunho, a  PT Paula Rodrigues!