Aprendizagem 1 – Quanto mais alto, menos te oiço!

No diálogo com um adulto maior e saudável, não será estranho escutá-lo dizer: “não o/a percebi”; “pode repetir”; “parece que agora oiço mal”.

Quando recebemos estas palavras, tendemos a repetir o mesmo, num volume de voz mais alto. Se formos mulheres, ao falarmos mais alto, também produzimos sons mais agudos com a nossa voz.

Fazemos estas tentativas e o resultado nem sempre é o melhor. Até poderemos gritar, mas o resultado irá ser desastroso e nunca me passaria pela cabeça recomendar tamanha monstruosidade de estratégia comunicativa.

Mas aprendemos com a continuidade das interações que a acústica da nossa voz pode ter efeitos bastante positivos na forma como se trocam as mensagens no decurso da conversa. Observamos que é melhor utilizar um som grave ao invés de agudo, falar com um volume normal ao invés de mais alto, articular bem as sílabas das palavras ao invés de lentificar o discurso como se nos estivéssemos a dirigir a um infante.

Aprendemos que quando caminhamos no tempo, vamos tendo perdas auditivas decorrentes da idade e com estas perdas (nem sempre detetáveis em exames), emerge também a dificuldade no processamento das frequências mais elevadas do som da voz. Exatamente o tipo de frequência que emitimos se falarmos mais alto e ao utilizarmos um tom paternalista com o adulto maior.

Aprendemos então que à semelhança da máxima “quanto mais perto, menos se vê” que se for interpretada de forma literal é muito real para o humano que passa a linha das 40 primaveras…podemos criar outra, “quanto mais alto, menos se ouve”.

Melhor do que aprender algo é perceber que essa aprendizagem pode ser útil noutras áreas e com outros públicos. Poderemos utilizar esta máxima quando falamos com idosos num contexto em que há ruído, quando há comprometimento cognitivo, quando não são nativos da língua, estão desatentos, mas também com outras pessoas mais jovens!