Aprendizagem 3 – Linguagem do poder, é linguagem a inverter

Os jovens no ativo exercitam entre eles, as linguagens específicas das suas áreas de saber. Muitas vezes estes códigos são só alcançáveis por outros que ou têm a mesma formação, realizam o mesmo trabalho, ou comungam de uma cultura organizacional onde as linguagens das diversas funções se cumprimentam em interações regulares.
Mesmo entre indivíduos da mesma idade, a utilização do jargão técnico para com quem dele pouco entende a não ser que seja incorporado das definições e exemplos que os explicam, é de intenção duvidosa…por vezes fico a pensar se quem os utiliza quer mesmo ser compreendido ou antes, reconhecido por estar a falar algo muito difícil e de inteligência tamanha!
Para quê falar em downsizing e turnover a um adulto maior de 92 anos? A não ser que este adulto maior queira aprender termos da linguagem importada própria da gestão de recursos humanos. Aprendemos que podemos ir à simplicidade do nosso código. Aquele que é comum a todos!

Para quê dizer a um sénior com 97 anos que os profissionais de saúde, professores, veterinários, cuidadores de um modo geral e bombeiros têm risco acrescido de burnout? …não faz sentido.

E reparem, não é por causa da idade. É porque a linguagem comum facilita a comunicação, a linguagem incomum prejudica-a. Interagir com o adulto maior, proporciona-nos a sorte de se falar das coisas da vida sem termos de lhes atribuir um rótulo técnico! Podemos falar do mal-estar sem lhe dar nome de doença. Podemos falar de fadiga sem lhe dar o nome de doença. Podemos falar de tristeza sem dar nome de doença. Podemos falar sobre atributos e qualidade das pessoas sem falar de etiquetas da ciência…enfim…podemos perguntar sem ter de falar de maiêutica!

À medida que vamos interagindo com pessoas mais velhas, vamos reaprendendo a linguagem comum a todos, invertendo aquela que designo de linguagem do poder. O poder já não é necessário. O que é prazeroso é comunicar. E esta aprendizagem pode ser transferida para outros contextos e utilizada para conversar com outros. A não utilização do jargão técnico é recomendação que vem nos livros, mas a sua aprendizagem é realmente testada na vida real e o adulto maior ajuda-nos nela de forma subtil e elegante!