Aprendizagem 6 – “O poeta é um fingidor”, mas nós não temos de ser

Inspirada num poema de Fernando Pessoa, construo uma máxima que revela uma outra aprendizagem transferível a outros contextos de comunicação.

Na interação com o adulto maior, é interessante observar a sua memória associativa que nos revela a teia de experiências que viveu. Um assunto liga-se a outro, para se ligar a um outro que estava ligado ao primeiro e por vezes, pelo caminho…já não se chega ao primeiro, porque houve gosto em estacionar num assunto do meio.

No decorrer da conversa que corre prazerosa, alguns adultos mais jovens, a partir de determinada altura, debatem-se com um dilema…como hão de interromper delicadamente a conversa com alguém que está tão maravilhado em contar de si?

Arrastam por vezes uns minutos, olham para o relógio para dar um sinal subtil de que têm de ir embora…por vezes olham para o lado…outras vezes desligam daquilo que é dito pelo outro pois pensam na melhor forma de ir para o seu outro compromisso…enfim, a boa intenção de ser delicado conduz a uma comunicação comprometida.

Se a interação é para manter, uma aprendizagem decorrerá naturalmente deste encontro de idades. Uma delas é que se dissermos a um adulto mais velho que pode continuar a contar as suas histórias que nós vamos fingir que o ouvimos, ele preferiria que nós nos fossemos embora.

Assim sendo, aprendemos a respeitar o adulto mais velho, quando respeitamos em simultâneo os nossos compromissos, falando de forma aberta que está na hora de ir e que voltaremos para continuar. Aprendemos a ter uma comunicação mais assertiva (assertividade não é aspereza nem agressividade) que para além de ser a forma mais adulta de se comunicar algo, em concomitância, informamos de forma elegante que não estamos a falar com alguém menor por ter uma idade maior.

Vem nos livros que com a idade, interpretamos com menos rigor, as expressões emocionais faciais e vocais do outro, principalmente quando são negativas. O que não vem nos livros é o grau em que isto acontece e a oportunidade de refletir sobre a nossa crença sobre o que é assertividade.