A oitava, fora do sítio!

Os leitores do blog opinião do espaço Métis sabem que tenho um número mágico de peças por cada tema, 7! Todavia, para o tema hercúleo da comunicação centrada na relação, irei criar uma exceção a esta regra, apresentando-vos “a oitava, fora do sítio”.

Trago para este espaço a ideia que alguns de nós comungam sobre a capacidade de escutar.

Pensamos que se manifesta com o ouvir o outro até que se cale, fazer uns acenos de cabeça sem esboçar qualquer vocalização, ou mesmo, acompanhando a fala do outro com um ãh ãh…ãh ãh…

Ao concebermos assim a arte da escutatória, silenciosa, respeitosa pela finalização da deixa do interator, intervalada com uns sons que até expressam que estamos atentos, embora possamos estar já longe…diluímos a verdadeira arte para a qual fomos treinados, a da oratória. Falar. Adorar falar. Ao deixarmos aquilo que adoramos, entramos no tédio da passividade do ouvir. Achamos mesmo que ouvir é muito difícil e complexo e que a empatia já não é competência humana.

Mas não temos que fazer tanto esforço em emudecer. Devemos realizar o esforço adicional de interromper. Quem escuta bem, interrompe. Não para competir com o outro, mas para fazer a viagem com ele. Tenha essa jornada que objetivo tiver,  ou mesmo, não tiver qualquer. 

Interromper com a manifestação da curiosidade: a perguntar…”mas espera…pára aí…conta-me lá melhor como isso aconteceu!”, “já agora, como pensas fazer…?”, “Como vias ser possível…?”.

Queremos escutar melhor? Então, interrompamos melhor! Seja na vulnarabilidade ou na não vulnerabilidade, sendo que esta última...não existe! 

Palavras chave: escuta ativa, vulnerabilidade, comunicação centrada na relação

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