Comunicação Centrada na Relação - O sorriso da esperança!

Cuidado Centrado na Relação

Há dias perguntaram-me, “Leonor…como posso dar esperança?”, referindo-se, esta pessoa admirável que conheci, aos adultos mais velhos, em vulnerabilidade. Não consegui dar-lhe a resposta que eventualmente apaziguaria mais…uma receita ou uma lista de sugestões. A minha resposta foi “a esperança não se dá, cria-se na relação”.

E é sobre este particular que me detenho agora enquanto penso no modelo relacional do cuidado. Neste modelo, não há alguém que fique de fora. Todos são dadores e recetores de cuidado. Não existe quem dá e não existe quem recebe. A relação como qualquer processo dialógico é biunívoca.

Fará sentido um local de saúde ter profissionais que recomendam saúde ao outro e eles próprios vivem exaustão? – para mim isto é a antítese de saúde!

Fará sentido uma casa de repouso chamar-se de repouso, quando não é a calma, serenidade, significado e vida o que todos lá dentro vivem, mas se não o oposto, algo parecido com stress continuado, seus efeitos e sequelas? – para mim isto é a antítese do repouso, palavra concebida para expressar uma recuperação contente de um desgaste pontual…enfim, vivemos muitos paradoxos por não relacionarmos.

E não é a Covid 19 a desculpa, embora agudize aquilo que já se encontrava frágil.

A esperança é fundamental na vida humana e diverge de expectativa. A esperança não é cura. A esperança é possibilidade e as possibilidades encontram-se em relação. A esperança definha em ambientes onde as interações são patogénicas, não há recursos nem apoio das hierarquias (se tivermos em consideração organizações | Instituições).

A esperança é uma competência geradora de possibilidades e tem tendência a desenvolver-se em ambientes onde as interações são de cuidado mútuo. Roma e Pavia não se fizeram num dia e a esperança, também não.

No pequeno teaser fílmico que construi (ver em baixo), coloco pessoas a sorrir…não porque tenhamos de estar sempre a sorrir na presença de um cuidado de alta qualidade. Obviamente que vivemos situações nas quais o sorriso na face, parece desabitar-nos. Mas há um sorriso que é vivido em constância, quando experimentamos um bom cuidado, seja quem for que nele esteja implicado, direta ou indiretamente: O sorriso de sentir que estamos a ser acolhidos nas nossas necessidades...o sorriso da esperança!