O que é isso de ser autêntico?

O que isso de ser autêntico?

No contexto do cuidado centrado na relação, a comunicação autêntica é uma das áreas a ser desenvolvida. No cuidador, esta autenticidade contribuirá para o seu sentimento de bem-estar.

E é mesmo isso…o cuidado centrado na relação, também se dedica ao cuidado de quem cuida, fomentando o conforto da relação do cuidador consigo próprio.

Mas por vezes, surge a questão…mas afinal o que é isso de ser autêntico?

Já houve ao certo, alturas, em que tiveste consciência sobre: - aquilo que pensavas, proporcionava-te um determinado sentimento que te conduzia a um comportamento. Ou…aquilo que sentias, te levava a um pensamento com consequências num comportamento e ainda…um comportamento teu, te encaminhou para um sentir e pensar.

É nesta tríade que nos vamos focar aqui.

Quando não estamos a ser autênticos, este tripleto fica um pouco embaraçado! Ora segue este pequeno exemplo:

Imagina uma situação em que sentes “estou magoado/a” e pensas “porque não fui reconhecida/o naquele esforço” e o teu comportamento foi “não vou dizer nada ao outro, pois se calhar estou a dar demasiada importância a este assunto…o tempo resolve” e calas, silencias, abafas…

O problema com o evitamento e recusa da autenticidade, mesmo que recorras ao fator tempo como sendo a solução para amenizar o desconforto, é o de concorrer para a engorda de um problema vivido na tua relação com o outro, surgindo depois aquela expressão elegante “há um elefante na sala e ninguém o vê”(e que vai influenciar o cuidar). Algo que não era problema, passa a ser.

Porque tudo o que é grande, foi um dia pequenino, é interessante acolher a autenticidade como uma forma de ser e estar que dissolve alguns potenciais problemas e os deixa ser aquilo que eles verdadeiramente são: questões naturais do relacionamento com um outro que é diferente de ti. Um outro que não deve ser mudado por ti, mas cuja relação pode e deve ser enriquecida por ti.

Assim, tomando o exemplo anterior, o tripleto estaria alinhado se o comportamento fosse o de expressar o que sentias e a tua necessidade de reconhecimento naquela situação em particular, dialogando com o tal outro, diferente de ti…obviamente sem levantar o dedo acusador…mas numa ótica de construir uma relação sã ao longo do tempo. Escutando o outro lado, numa perspetiva não de responder, mas de o compreender.

Por vezes precisamos de ser aceites e comportamo-nos de forma a afastar. Outras vezes, precisamos de estabelecer limites e comportamo-nos, como se aceitássemos o beliscar dessas mesmas balizas.

Não tem de ser assim. A autenticidade ajuda e a educação no trato, a nós próprios e ao outro, adiciona o esteio confortável onde o diálogo de construção estimula o encontro de autenticidades.