Palavras confronto, palavras conforto!

Por vezes, existe o receio de dizer algo ao outro, porque acreditamos que por se tratar de tema sensível e existir um potencial de divergência nos pontos de vista, essa conversa, possa gerar um confronto e portanto, a experiência de emoções desconfortáveis que preferimos não viver.

O que não avaliamos por vezes, é o valor daquilo que pretendemos conversar e que pode ser positivamente transformador para ambos os lados da relação e daquilo que se pretende desta e a forma confortável em que estas conversas deverão decorrer para que sejam realmente diálogos e não, imposições, queixas, lutas, ataques…

As palavras e a forma como são ditas e orientadas, farão a diferença entre conforto e confronto. Com o conforto conseguiremos pensar, ouvir, partilhar, apresentar comportamento colaborativo. Com o confronto…não pensamos eficazmente, não escutamos, deixamos de querer partilhar o relevante e o comportamento colaborativo extingue-se.

Como podemos saber se uma conversa está em modo confronto? Como as palavras nos podem indicar que estamos em stress ou a gerar stress no outro e portanto, a condenar a intenção colaborativa do diálogo?

  • Falo em cima das palavras do outro, não o deixando terminar o raciocínio ou exposição > é uma forma de luta!
  • Elevo o volume da minha voz, para ver se sou mais ouvido/a > é uma forma de luta!
  • Acelero na velocidade do que digo, para ver se firmo a minha posição de forma mais vincada > é uma forma de luta!
  • Utilizo o sarcasmo ou ironia para desvitalizar o outro > É uma forma de luta!
  • Vou buscar o passado para colocar culpas em alguém > É uma forma de fuga!
  • Calo-me e não digo nada > É uma forma de luta, fuga ou paralisação…dependendo do contexto!
  • Não faço perguntas ao outro e só me quero ouvir a mim > É uma forma de luta!
  • Falo a despachar e sem pausas, como se o tema fosse banal, não fosse importante e pudesse ser tratado de forma vulgar > É uma forma de luta!
  • Digo não, inventando um porquê, mas sem identificar caminhos de possibilidade e o seu como > É uma forma de luta ou fuga…dependendo do contexto!

Enfim, poderíamos listar mais modos de manifestação da linguagem de confronto…sendo que se fizermos o inverso, estaremos a mitigar o nosso receio do confronto e a caminhar paulatinamente para o conforto da construção.

Não há que ter medo, fugir, lutar, paralisar... há que mudar a forma como dialogamos sobre temas essenciais!

Palavras chave: stress, linguagem verbal, luta, fuga, paralização, diálogo, conversa

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