Valorizar as queixas, é bem melhor!

Valorizar as queixas, é bem melhor que queixarmo-nos de quem se queixa…

Duas das dificuldades que não concorrem para uma conversa bem-sucedida, são a divergência de opiniões e perspetivas, acompanhadas de emoções acesas e de valência negativa…não percebo isto deste modo e até tenho um entendimento diverso que sedimento ao longo do tempo e que me diz exatamente o contrário:

- Quando duas pessoas pensam e dizem sentir da mesma maneira…uma delas é redundante!, ou seja…não é possível e se não é possível é porque a diferença faz parte.

O segredo do diálogo efetivo, repousa sobre aquilo que se faz com a diferença: ou se constrói, ou se exclui e rejeita. 

De muitos exemplos, selecionei aquele que esteve na base de uma resposta de acolhimento para pessoas que vivem com demência em estadios avançados. Não me vou centrar aqui se é o melhor tipo de resposta ou não, mas sim, na comunicação centrada na relação que esteve na origem da criação da “Vizinhança”, na Holanda (Hogeweyk).

Tudo começou com profissionais de saúde da resposta anterior á concretização da Vila “Vizinhança”.

Estes profissionais, nos seus intervalos, reuniam para dizer mal do local onde trabalhavam, criticavam a despersonalização do ambiente, os imensos corredores com portas que embora em grande quantidade, todas pareciam a mesma…perguntavam uns aos outros se “trarias a tua mãe para este espaço?”…respondiam “claro que não”, cadeiras de rodas, atravessavam-se em cada esquina... e este era o ram ram destes profissionais que em interregnos onde poderiam recuperar energias, continuavam a salpica-la na queixa inconsequente.

Mas…num dia já não igual aos outros, a liderança parou junto deles e disse qualquer coisa como esta, “Então vamos fazer diferente. O que será a resposta ideal? O que é preciso para podermos realizar essa oferta?” .

A liderança, ao invés de se queixar da queixa, deu à queixa, a oportunidade de fazer nascer um novo projeto e mais que isso, inspirou profissionais a cuidar com mais alma e atraiu as condições para que algo de diferente e bem melhor que a resposta clássica, acontecesse.

A comunicação centrada na relação não se focaliza unicamente entre a pessoa vulnerável e o cuidador. Incorpora todos quantos se encontram em torno do ato de cuidar e a queixa, como fonte de transformações relevantes.

Palavras chave: comunicação centrada na relação, liderança

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